quarta-feira, 15 de julho de 2009

"O Catão de hoje é o mandrião de amanhã"

Sarney é Sarney desde que entrou na política. O que armou e aprontou depois de deixar a presidência é de conhecimento amplo da mídia e (...) nada se fez durante vinte anos. Permitiram-se abusos no Amapá, no Maranhão, permitiu-se que sua influência abatesse governadores eleitos, derrubados por motivos menores. Mesmo assim, durante décadas mereceu todo o cuidado por parte da imprensa, e um carinho e proteção especial da Folha. O Otavinho sabe a razão.

Agora, esse tiroteio infindável contra ele não tem razões nobres. A mídia fez o mesmo em todos os momentos anteriores da vida nacional. Cria o clima, levanta a bola de quem quiser se apresentar como o vingador e vai gerando fatos, tirando os escândalos que lhe interessam da gôndola do supermercado e mandando bala.

(...) Hoje em dia o maior poder do país, aquele sem o menor limite, sem os contrapesos fundamentais da prática democrática, se chama mídia. Ela é a única capaz de intimidar o Judiciário, o Executivo, assassinar reputações. Juízes que se colocam contra, desembargadores, ministros, políticos, são fuzilados inapelavelmente. Bastava uma fonte não se mostrar de boa vontade para ser fuzilada com adjetivos ou com factóides. Nem se fale dos interesses maiores, expostos agora nesse lamaçal em que se tornou o gasto com Educação de diversos estados - que passaram a adquirir maciçamente material de editoras jornalísticas como compra de proteção.

(...) Seu poder reside na falta de transparência da sociedade. É o que permite a ela se tornar "dona" da informação, selecionando as que melhor lhe convem ou editando de acordo com suas conveniências. É por isso que todas as campanhas midiáticas visam pessoas e escândalos pontuais - levantados de acordo com as conveniências do momento - e não mudanças capazes de impedir a perpetuação do erro.


Luis Nassif, apud: CONTRAF

terça-feira, 7 de julho de 2009

Patópolis



Gerência restringe entrada no BB
Voz Bancária N° 534

sábado, 27 de junho de 2009

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Talentos desperdiçados


Em defesa dos responsáveis por pequenos e grandes assassinatos do idioma, costuma erguer-se um argumento tão farisaico quanto a “legítima defesa da honra” invocada no julgamento de crimes passionais: ele não sabe escrever, mas apura bem”, repetem os devotos do compadrio nas redações. Não seria má idéia transferir para as delegacias de polícia jornalistas que apenas investigam. O Brasil pode estar perdendo bons detetives.


Augusto Nunes
In: Manual de ética redacional e estilo: organização de Zero Hora (Porto Alegre, L&PM, 1994).

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Inferno na torre


(...) No 68° andar, os telefones começaram a tocar apenas alguns minutos depois que o avião sacudiu o prédio. Os repórteres ligavam. Greg Trevor, um porta-voz autorizado, pago para responder a essas chamadas, ainda tremia com o impacto. Quase fora derrubado no chão e estava tão perplexo quanto qualquer um que ligasse para saber o que havia acontecido. Tudo o que sabia é que alguma coisa, uma explosão, uma bomba, fizera o edifício balançar para um lado e para o outro como uma antena de carro. Fogo, vidro e papel caíam pelas janelas, e todo mundo tinha de sair. Os funcionários pegavam os arquivos e jogavam em sacolas. Atenderam a alguns chamados, agarraram notebooks e, então, transferiram seus telefones para a central de comando da polícia da Administração do Porto, em Jersey City. (...) Havia mais dois repórteres esperando na linha.
― Aqui é Greg Trevor.
― Olá, estou com a NBC, a rede nacional. Se puder esperar na linha durante cinco minutos, vou pôr você numa entrevista telefônica ao vivo.
― Sinto muito, não posso, estamos evacuando o edifício.
― Mas vai levar só um minuto.
― Sinto muito, você não entende. Estamos deixando o edifício imediatamente.
A pessoa do outro lado parecia perplexa.
― Mas... mas... é a NBC, a rede nacional de notícias.
Aparentemente, pensou Greg, seria razoável se salvar de um edifício em chamas se fosse apenas uma rede local. Mas essa era “A Rede”.

Jim Dwier / Kevin Flynn
In: 102 minutos

sábado, 16 de maio de 2009

Doçura e sabedoria

Considero a arte culinária a mais nobre de todas as artes. Aquela que está ligada à vida e à saúde humanas, e da qual todos nós dependemos, desde que nascemos até a nossa morte. O primeiro chá da criança e o último leite do morimbundo passaram sempre pela cozinha.

Cora Coralina

Recursos humanos

Li que a espécie humana é um sucesso sem precedentes. Nenhuma outra com uma proporção parecida de peso e volume se iguala à nossa em termos de sobrevivência e proliferação. E tudo se deve à agricultura.

Como controlamos a produção do nosso próprio alimento, somos a primeira espécie na história do planeta a poder viver fora de seu ecossistema de nascença. Isso nos deu mobilidade e a sociabilidade que nos salvaram do processo de seleção, que limitou outros bichos de tamanho equivalente. É por isso que não temos mudado muito, mas não nos extinguimos.

Luis Fernando Verissimo
in: O desafio ético (org. de Ari Roitmam)

domingo, 10 de maio de 2009

Heroi dos quadrinhos


Fãs e colecionadores das Aventuras de Tintim podem comemorar os 80 anos de um dos maiores heróis das HQs. No fim de 2008, a editora Cia. das Letras completou a coleção de 24 volumes que imortalizou o topete, a coragem e a honestidade do repórter Tintim, do belga Hergé.

Seu inseparável cachorro Milu e os amigos capitão Haddock e professor Girassol já estiveram num sequestro de avião na Austrália, acharam múmias no Peru, salvaram um rei dos Bálcãs e enquadraram diversos vilões pelo mundo. Hergé criou o personagem para o suplemento juvenil Petit Vingtième, do jornal Vingtième Siècle, em 1929. No País dos Sovietes, Tintim e Alfa-Arte, Tintim e os Pícaros, Voo 714 para Sidney e outros 20 títulos estão nas livrarias. De R$ 36 a R$ 42.

Fonte: Revista do Brasil N° 34

FAÇA AQUI O DOWNLOAD GRATUITO DE TODAS AS EDIÇÕES DA REVISTA DO BRASIL.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Saudades da dita "branda"


A Folha de S.Paulo publicou hoje um editorial tentando justificar as mentiras repetidas pelo jornal.

Calúnias que atingem diretamente a Rede Record e a honra de seus artistas, jornalistas e demais funcionários.

Mais uma vez, o jornal se faz de vítima.

O texto frágil e tortuoso chama de “ataque” o direito de resposta da Record. Direito, aliás, que nem sempre foi respeitado pelo jornal após a publicação de cada notícia mentirosa nos últimos seis meses.

As falsidades chegaram ao limite com a repercussão de uma inexistente doença do proprietário da Rede Record, Edir Macedo, e a distorção dos números de audiência da Record News, desmentidos pelo próprio Ibope.

A assessoria de comunicação da Record pediu retratação sucessivas vezes e o resultado foi sempre o mesmo: omissão.

Espaço do leitor, “Erramos”, ombudsman e a própria coluna de TV.

Todos se calaram.

Onde ficou o “outro lado”?

Nesta sexta, a Folha de S.Paulo se superou.

A família Frias, dona do Grupo Folha, usou seu espaço mais importante para sustentar a série de mentiras.

Página de opinião de que os Frias sempre se orgulharam em utilizar em nome do bom jornalismo.

E a Record não foi a única vítima.

Os brasileiros que sofreram durante a ditadura foram agredidos pela família Frias neste mesmo espaço.

Há 31 dias, a Folha de S.Paulo chamou de “ditabranda” os anos de chumbo no Brasil.

Estaria a Folha de S.Paulo revivendo sua atuação suspeita nos tempos do regime militar?

Por isso, não é de surpreender o tom raivoso do editoral desta sexta, que chega ao absurdo de ameaçar a Record.

É verdade que o texto quase admitiu o jornalismo tendencioso contra a Record.

O editorial diz: “(…) A coluna pode cometer eventuais falhas”.

Mas foi só.

Em seguida afirma que as calúnias foram “retificadas de modo transparente”.

Mentira.

Em outro trecho, o jornal reconhece estar no meio de um “duelo feroz” entre a Globo e a Record.

Só não revela que é sócia das Organizações Globo em uma de suas publicações.

Por que a Folha de S.Paulo esconde isso de seus leitores?

Isso é “independência jornalística”, como cita o editorial?

Isso é “agir com máxima isenção”?

Isso é “prática de jornalismo verdadeiro”?

É possível acreditar que uma empresa será imparcial numa disputa que envolve o seu próprio sócio?

A brutal queda de leitores, que aumenta a cada ano de maneira impressionante, é uma resposta do Brasil à Folha de S.Paulo.

Editorial "FOLHA DE MENTIRAS", transmitido pela Rede Record de Televisão em 17/03/09.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A voz do povo no Supremo


Vossa Excelência [ministro Gilmar Mendes, presidente do STF] não está na rua, não. Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso.

Joaquim Barbosa, ministro do STF

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Acordo cifrográfico



Num país em que muitos municípios não têm sequer uma biblioteca pública acho que é um desperdício provocar o gasto de milhões de reais com a compra de novos livros para substituir outros iguais das bibliotecas que já existem por causa de uns poucos acentos e pela inclusão das letras K, W e Y, que na prática já estão presentes em nosso dia-a-dia. Bastaria incorporá-las ao alfabeto e pronto. Sem contar que algumas palavras continuarão sendo escritas de forma diferente no Brasil e em Portugal. O que justificará num futuro próximo mais uma reforma dessas, para jogar muita grana nas mãos dos editores. Tudo decidido por meia dúzia de acadêmicos. Que democracia é essa? Chegaram a fazer umas matérias por aí sobre a praticidade ou não da reforma, mas todo mundo se nega a discutir os custos dela. Parece haver uma cumplicidade da grande imprensa, dos linguistas (sim, agora sem o trema) e dos editores interessados.

Mouzar Benedito
In: Revista do Brasil

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Homem ou SANTO?!

(...)Se puderes conservar a tua calma
quando todos em torno de ti desnortearem e por isso te culparem;

Se puderes esperar, sem por isso te fatigares, ser caluniado, sem teres intrigas, ser odiado sem responderes ao ódio, e mesmo assim não exaltares a tua bondade e nem falares com excessiva sabedoria;

(...) Se puderes aceitar o triunfo e o fracasso, com igual serenidade;

Se puderes ouvir a verdade que disseste, deturpada pela má-fé, para assim iludir aos parvos;

(...) Se puderes ver destruida toda a obra de tua vida
e sem dizer uma só palavra, recomeçar a construir;

(...) Se puderes falar com as multidões e manter as tuas virtudes, frequentar os reis sem perderes a tua simplicidade... serás um homem, meu filho!


(Rudyard Kipling)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Ditabrandagate


Ao comparar o movimento político liderado por Chávez com a ditadura militar brasileira, a Folha [Limites a Chávez, 17/2/2009] (...) assume editorialmente a defesa dos golpistas de Pindorama. O neologismo "ditabranda" é usado pelos filhos de quem nunca negou apoio ao terrorismo de Estado. Pelo contrário, o empréstimo de peruas C-14 do jornal para transporte de presos mostra total alinhamento dos Frias com centros de torturas e seus comandantes mais conhecidos. Quantos mortos e torturados foram transportados por suas "ditabrandas" peruas?

Gilson Caroni Filho, professor titular de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), Rio de Janeiro, RJ. in A ditabranda e a culpa de Fidel.

sábado, 4 de abril de 2009

Epitáfios



I’ve seen things you people wouldn’t believe.
Attack ships on fire off the shoulder of Orion.
I watched c-beams…
glitter in the dark near Tanhauser Gate.
All those… moments will be lost… in time,
like tears… in rain.


"Vocês nunca acreditariam nas coisas que eu vi. Naves de ataque em chamas, perto da borda de Orion. Vi a luz do farol cintilar no escuro, na Comporta Tannhauser. Todos esses momentos se perderão no tempo... como lágrimas na chuva."


Palavras de Roy Batty
in Blade Runner

sábado, 28 de março de 2009

Epitáfios

We are all in the gutter,
but some of us are looking
at the stars.


"Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando para as estrelas."

Oscar Wilde (astrônomo irlandês)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Ouvido absoluto


Truman Capote (1924-1984), após doze anos de treino, desenvolveu uma incrível capacidade de memorização, conseguindo reproduzir fielmente 95% de tudo que ouvia. Assim, o escritor dispensava anotações enquanto colhia depoimento dos entrevistados.

Não seria mais simples e eficaz, cara-pálida, se o pai do romance de não-ficção tivesse usado um simples gravador?

Por outro lado, economiza-se um tempo considerável não precisando repassar fitas à procura de determinados trechos. Além de o autor acessar o ponto exato instantaneamente, tem uma visão completa da obra antes mesmo de escrever uma única linha.

Sem contar a facilidade de aprendizagem que a técnica pode proporcionar, já que, potencialmente, Capote memorizava praticamente tudo que ouvia.

domingo, 22 de março de 2009

Epitáfios

O começo é escuro.
O fim é escuro.
A paz é escura.

A claridade é
só um átimo.
A luz é
só um hiato.


Lívio Soares (poeta e professor mineiro)

domingo, 1 de março de 2009

Para todos os gostos


Marcelotas, Blog do jornalita Marcelo Tas (foto), foi eleito o melhor do país, de acordo com os jurados do Best Blogs Brasil. Confira a lista dos 30 melhores, divididos por categorias:

Melhor blog:
marcelotas

Quadrinhos:
Malvados

Artes e cultura:
amalgama

Ciências:
Brontossauros em meu jardim

Publicidade e comunicação:
Brainstorm #9

Cinema, música e TV:
www.poltrona.tv

Corporativo:
Papo de empreendedor

Culinária:
homemnacozinha.com

Design:
www.bemlegaus.com

Educação:
Rastro de Carbono

Entretenimento:
Sedentario & Hiperativo

Humor:
Kibe Loco

Jurídico:
Direito e trabalho

Esporte:
Blog do Juca

Games:
Continue

GLBT:
Papel Pop

Metablog:
Twitter Brasil

Negócios e finanças:
Dinheirama

Pessoal e cotidiano:
Planejando meu casamento

Política:
Pedro Doria

Religião e esoterismo:
Isso é bizarro

Saúde:
Contrapeso

Sexo:
Boteco sujo

Tecnologia:
Gizmodo Brasil

Turismo:
Vida de Viajante

Universo Feminino:
melhoramiga.com

Universo Masculino:
Papo de homem

Melhor Design:
Sedentário & Hiperativo

Melhor Podcast:
Nerdcast

Automóveis:
velocidade.org


Fonte: Estado de Minas

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Helvetica, o filme


Pensamos que a tipografia é preto e branco. Tipografia na realidade é branco, nem chega a ser preto. É o espaço entre as áreas em preto que forma a tipografia. Num certo sentido é como a música. Não são as notas, é o intervalo entre as notas que compõe a música.

Massimo Vignelli, designer italiano (Helvetica, 2007)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

COMEÇAR DE NOVO

Enviado por Luis Fernando Gigena, de Itajaí, Santa Catarina:

Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu:

Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não tolerava o frio
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não me lembrava dos idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.