sábado, 27 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
VLC versão 2.0.3
O player famoso por tocar
absolutamente tudo agora é compatível com formatos HD e possui suporte à
aceleração gráfica.
http://www.baixaki.com.br/ download/vlc-media-player.htm
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012
O Estado são eles
Os ministros do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, [...] dois advogados medíocres, cultivados à sombra do poder petista para chegar onde chegaram, [...] possivelmente seja o primeiro caso comprovado de juízes de laboratório.
Alguns inocentes chegaram a acreditar que Dias Toffoli se declararia impedido de votar no processo do mensalão, por ter advogado para o PT durante anos a fio. Participar do julgamento seria muita cara de pau, dizia-se nos bastidores. Ora, essa é justamente a especialidade da casa.
[...] Quando se deu o escândalo do mensalão, Dias Toffoli era nada menos do que subchefe da assessoria jurídica de José Dirceu na Casa Civil. Os empréstimos fictícios e contratos fantasmas pilotados por Marcos Valério [...] eram coordenados exatamente da Casa Civil. O ministro está julgando um processo no qual poderia até ser réu.
[...] Seria coincidência, ou esses funcionários da revolução têm como pré-requisito a mediocridade?
Como se sabe, antes da varinha de condão de Dirceu, Dias Toffoli tentou ser juiz duas vezes em São Paulo e foi reprovado em ambas. Aí sua veia revolucionária foi descoberta e ele não precisou mais entrar em concursos. [...] Graças ao petismo, Toffoli foi ser procurador no Amapá, e depois de advogar em campanhas eleitorais do partido alçou voo à Advocacia-Geral da União. É claro que uma carreira brilhante dessas tinha que acabar no Supremo Tribunal Federal.
O advogado Lewandowski vivia de empregos na máquina municipal de São Bernardo do Campo. Aqui, um parêntese: está provado que as máquinas administrativas loteadas politicamente têm o poder de transformar militantes medíocres em grandes personalidades nacionais – como comprova a carreira igualmente impressionante de Dilma Rousseff. Lewandowski virou juiz com uma mãozinha do doutor Márcio Thomaz Bastos, ex-advogado de Carlinhos Cachoeira, que enxergou o potencial do amigo da família de Marisa Letícia, esposa do bacharel Luiz Inácio.
Desembargador obscuro, sem nenhum acórdão digno de citação em processos relevantes, Lewandowski reuniu portanto as credenciais exatas para ocupar uma cadeira na mais alta esfera da Justiça brasileira.
Suas diversas manobras para tumultuar o julgamento do mensalão enchem de orgulho seus padrinhos. A estratégia de fuzilar o cachorro morto Marcos Valério, para depois parecer independente ao inocentar o mensaleiro João Paulo, certamente passará à antologia do Supremo – como um marco da nova Justiça com prótese partidária.
Guilherme Fiuza
In: "Batman e Robin em ação no Supremo". Época, ed. 747, p.16.
sábado, 8 de setembro de 2012
Personagens que mudaram o mundo
Aconteceu quando estava autografando livros. Uma negra de meia-idade aproximou-se e perguntou:
–Você é Martin Luther King?
–Sim, sou eu.
Uma simples e polida troca de palavras; com resultados estarrecedores. A mulher deu um grito e cravou-lhe no peito um abridor de cartas.
Martin Luther King foi levado às pressas ao hospital. Depois de uma longa espera, a lâmina foi removida cirurgicamente. Com muita paciência, havia obedecido às enfermeiras e permanecera absolutamente parado, apesar das dores, pois o corte provocado pela lâmina alcançara uma fração de centímetro de uma artéria principal. O médico disse, depois da crise, que um mero espirro poderia tê-lo matado.
O incidente foi divulgado pelos jornais e Luther King ficou particularmente agradecido ao ler uma carta escrita a ele por uma jovem de quinze anos.
"Caro doutor King.
"Sou aluna da nona série da escola secundária de White Plains. Embora não tenha importância, gostaria de mencionar que sou uma garota branca. Li no jornal sobre seu infortúnio e seu sofrimento e que, se você espirrasse, teria morrido.
"Escrevo simplesmente para lhe dizer que estou muito contente por você não ter espirrado."
Valerie Schloredt e Pam Brown
In: "Personagens que mudaram o mundo: os grandes humanistas."
–Você é Martin Luther King?
–Sim, sou eu.
Uma simples e polida troca de palavras; com resultados estarrecedores. A mulher deu um grito e cravou-lhe no peito um abridor de cartas.
Martin Luther King foi levado às pressas ao hospital. Depois de uma longa espera, a lâmina foi removida cirurgicamente. Com muita paciência, havia obedecido às enfermeiras e permanecera absolutamente parado, apesar das dores, pois o corte provocado pela lâmina alcançara uma fração de centímetro de uma artéria principal. O médico disse, depois da crise, que um mero espirro poderia tê-lo matado.
O incidente foi divulgado pelos jornais e Luther King ficou particularmente agradecido ao ler uma carta escrita a ele por uma jovem de quinze anos.
"Caro doutor King.
"Sou aluna da nona série da escola secundária de White Plains. Embora não tenha importância, gostaria de mencionar que sou uma garota branca. Li no jornal sobre seu infortúnio e seu sofrimento e que, se você espirrasse, teria morrido.
"Escrevo simplesmente para lhe dizer que estou muito contente por você não ter espirrado."
Valerie Schloredt e Pam Brown
In: "Personagens que mudaram o mundo: os grandes humanistas."
terça-feira, 28 de agosto de 2012
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Destaque internacional
O jornal
americano The New York
Times (5/8) dedicou a capa de sua
edição com uma matéria sobre a busca pela verdade da violência política da
ditadura militar brasileira (1964-1985) e a figura da presidente Dilma Rousseff,
informou o portal Terra.
"NYT" destacou busca do Brasil pela verdade sobre torturas na ditadura
Assinada pelo jornalista Simon Romero, "A tortura da líder nos anos 70 agita fantasmas no Brasil" relata a história de Dilma falando da oposicionista torturada na juventude à presidente.
O texto destaca a discrição com que a presidente trata o assunto. "[Dilma] recusou-se a desempenhar o papel de vítima quando sutilmente pressiona por maior transparência [dos fatos ocorridos] nos anos da ditadura militar brasileira", diz trecho da matéria.
Fonte: Portal Imprensa
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sábado, 4 de agosto de 2012
Rock of Ages - O Filme
Em 1987, o rock agoniza nas mãos de astros entupidos de uísque, sexo, anfetaminas e falta de motivação, como Stacee Jaxx (Tom Cruise), vocalista do Arsenal. As boys band estão em alta, a música virou só um grande negócio. Os rock stars só conseguem cantar ainda em porões infectos, como o do Bourbon Room, em Los Angeles, outrora grandioso (uma espécie de CBGB do B). O próprio proprietário do clube, Dennis Dupree (Alec Baldwin) agoniza, enfrentando os impostos em atraso e a Liga das Senhoras Católicas local, encabeçada pela primeira-dama Patricia Whitmore (Catherine Zeta-Jones).
Mas o núcleo do musical importa pouco. O filme é um veículo para uma performance memorável de Tom Cruise. A entrevista que seu personagem, Stacee Jaxx, concede para uma repórter da revista Rolling Stone (Malin Akerman, em seu momento Paris Hilton definitivo), no filme, é um tratado da demência no star system. É a mais engraçada caricatura de um rock star em muitos anos de cinema. E, desde "Grease", o rock não tinha um filme tão expressivo como retrato de um período da música e da cultura populares.
Jotabê Medeiros - O Estado de S.Paulo
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Watchmen: ano um
Abaixo, linque para download da primeira edição da polêmica minissérie lançada hoje nos EUA (clique em "low speed download" e aguarde a contagem regressivade 30 segundos):
Before Watchmen - The Minutemen (vol. 01)
Algumas revistarias boicotarão a venda em apoio ao cocriador dos personagens, Alan Moore, que alega usurpação do clássico original, "Watchmen", a obra do gênero mais vendida de todos os tempos e única HQ a figurar na lista dos 100 maiores livros do século 20, da revista "Time".
sábado, 26 de maio de 2012
Pobre menina
Talvez o desabafo seja o ponto final de uma demorada e penosa trajetória. Muitas vezes, vítimas de abuso só conseguem falar abertamente sobre o que aconteceu quando sublimam, de alguma forma, a violência. Este parece ser o caso de Xuxa. As feridas, que impedem pensar uma vida amorosa, ainda estão expostas.
O primeiro sinal deveria ser percebido no lar. A criança muda de comportamento com alguma pessoa. Pode também aumentar a agressividade ou, ao contrário, o isolamento. Geralmente, o molestador é conhecido.
Pensemos nos milhares de crianças que estão sendo abusadas – e que tal exposição propiciou que isso viesse à tona. As denúncias cresceram 30% após o depoimento. Xuxa, que se conecta com crianças, ajudou-as e a seus pais ao falar de forma tão pessoal de um tema tabu.
Marta Suplicy, hoje, na "Folha" (com adaptações).
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Estadão disponibiliza acervo integral na internete
O jornal "O Estado de S. Paulo" (originalmente, "A Provincia de São Paulo") disponibiliza a partir de hoje todas as suas edições. São mais de 2 milhões de páginas abrangendo três séculos de história, entre as quais se destacam a Abolição da Escravatura, a cobertura da Revolta de Canudos feita por Euclides da Cunha e as matérias originais censuradas pela Ditadura.
Acesse gratuitamente: acervo.estadao.com.br
domingo, 13 de maio de 2012
Gênio do mal
Advogado criminal nascido e criado em Patos de Minas faz fortuna em Brasília defendendo políticos denunciados por corrupção
ELE CONQUISTOU FAMA E MUITOS MILHÕES DE DÓLARES utilizando informações privilegiadas e se especializando em salvar o couro de colarinhos-branco, notadamente os do Distrito Federal. O perfil do criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, vulgo "Kakay", foi o destaque da revista Piauí de novembro, cuja capa remete a usurários e publicanos da Idade Média.
Ele é membro de família tradicional de Patos de Minas e sobrinho do glorioso Altino Caixeta de Castro. A mídia local não repercutiu a notícia, enviada a este colunista por um leitor.
"O entrevistado, inclusive, é meu parente, mas o que me chamou a atenção foi a arrogância, e, aparentemente, os métodos nada ortodoxos do fulano para 'se dar bem' na profissão. Como pode alguém se orgulhar de pessoas como José Sarney, ACM etc. a ponto de ter quadros seus (deles) pendurados na parede?"
O fato de os expedientes "nada ortodoxos" citados pelo prezado leitor baterem de frente com o Estatuto da Ordem não impede que o profissional seja promovido em publicações financiadas pela instituição.
“O caso, juridicamente, é simples, esse inquérito não tem como prosseguir”, declarou na semana passada, dois dias antes de o parlamentar renunciar à sigla e evitar sua expulsão do partido. “Há que se investigar o Ministério Público que durante três anos o gravou ilegalmente e há que se investigar por que o juiz determinou que ele fosse gravado durante três anos.”
A inconstitucionalidade dos grampos telefônicos por longos períodos foi tópico de palestra ministrada por Antônio Carlos a estudantes do curso de direito do Unipam, em 2010 (“O advogado criminal no Estado de Direito”), quando discorreu mais sobre os telefonemas que recebe de chefes e ministros de Estado, dentre outras autoridades, do que propriamente sobre escutas clandestinas.
Talentoso, imoral e exibicionista, Antônio Carlos se gaba de pagar quarenta mil reais em um único jantar e de ter roupa de cama personalizada com suas iniciais no Emiliano, referência em “hospitalidade de luxo". Todas as suas causas têm origem em sua rede de influência.
Abaixo, trechos da reportagem de Daniela Pinheiro.
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Outras páginas do autor: duck city / fakebook / post script / epitaphius / ombudsboy / portfolio
ELE CONQUISTOU FAMA E MUITOS MILHÕES DE DÓLARES utilizando informações privilegiadas e se especializando em salvar o couro de colarinhos-branco, notadamente os do Distrito Federal. O perfil do criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, vulgo "Kakay", foi o destaque da revista Piauí de novembro, cuja capa remete a usurários e publicanos da Idade Média.
Ele é membro de família tradicional de Patos de Minas e sobrinho do glorioso Altino Caixeta de Castro. A mídia local não repercutiu a notícia, enviada a este colunista por um leitor.
"O entrevistado, inclusive, é meu parente, mas o que me chamou a atenção foi a arrogância, e, aparentemente, os métodos nada ortodoxos do fulano para 'se dar bem' na profissão. Como pode alguém se orgulhar de pessoas como José Sarney, ACM etc. a ponto de ter quadros seus (deles) pendurados na parede?"
O fato de os expedientes "nada ortodoxos" citados pelo prezado leitor baterem de frente com o Estatuto da Ordem não impede que o profissional seja promovido em publicações financiadas pela instituição.
* * * *
Antônio Carlos
também está no centro do mais recente escândalo nacional: o suposto
envolvimento de seu cliente, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), na
rede de jogos ilícitos investigada pela Operação Monte Carlo, da Polícia
Federal.“O caso, juridicamente, é simples, esse inquérito não tem como prosseguir”, declarou na semana passada, dois dias antes de o parlamentar renunciar à sigla e evitar sua expulsão do partido. “Há que se investigar o Ministério Público que durante três anos o gravou ilegalmente e há que se investigar por que o juiz determinou que ele fosse gravado durante três anos.”
A inconstitucionalidade dos grampos telefônicos por longos períodos foi tópico de palestra ministrada por Antônio Carlos a estudantes do curso de direito do Unipam, em 2010 (“O advogado criminal no Estado de Direito”), quando discorreu mais sobre os telefonemas que recebe de chefes e ministros de Estado, dentre outras autoridades, do que propriamente sobre escutas clandestinas.
Talentoso, imoral e exibicionista, Antônio Carlos se gaba de pagar quarenta mil reais em um único jantar e de ter roupa de cama personalizada com suas iniciais no Emiliano, referência em “hospitalidade de luxo". Todas as suas causas têm origem em sua rede de influência.
Abaixo, trechos da reportagem de Daniela Pinheiro.
*
Ao longo dos anos, de fato, Kakay desenvolveu um acurado canal de
comunicação com a mídia. Fala com colunistas, repórteres, diretores de
redação e patrões, a quem municia com informações que interessam a eles e
a si próprio. Quando precisa se posicionar publicamente sobre um caso,
pede que o entrevistem ou que publiquem seus artigos, no que quase
sempre é atendido.
* Em três
semanas, Kakay publicara três artigos (na Folha, n’O Globo e n’O Estado
de S. Paulo), participara de quatro programas de televisão, falara no
Jornal Nacional, aparecera na capa de um jornal da OAB.
*
Recentemente, Kakay comprou um cemitério em Belo Horizonte. Explicou
por quê: “É o melhor investimento para retorno imobiliário hoje. Você
compra em alqueire e vende a terra em palmos.” Um amigo arrisca que seu
patrimônio ultrapasse 100 milhões de reais.
*
Com uma porta de quase 7 metros de altura em madeira de demolição, e a
enorme escultura de um rinoceronte na entrada, a casa de Kakay tem 1 500
metros quadrados e três pavimentos. Uma vez, um amigo paulista que o
visitava ficou encantado com o clube que admirava da varanda. “Clube? É
meu quintal!”, respondeu Kakay. Quando a área, no Lago Sul, era um
terreno baldio, ele soube de antemão que o projeto de uma ponte vizinha
fora aprovado. Arrematou o terreno por uma pechincha.
*
Além da casa em Brasília, tem um apartamento de 400 metros quadrados de
frente para o mar, em Ipanema, outros imóveis e participação em várias
empresas. Dentre elas, há uma firma especializada na instalação de
lombadas eletrônicas e radares de trânsito – com contratos com o governo
federal – e a Divitex, responsável pela construção de um loteamento no
sítio do Pericumã, em Brasília. Seu sócio na empresa, José Sarney,
costumava passar ali os finais de semana.
*
No primeiro governo Lula, o banqueiro Daniel Dantas envolveu-se numa
briga de morte pelo naco mais lucrativo da telefonia, chegando a
contratar a empresa de espionagem Kroll. A certa altura, chamou Kakay. A
Polícia Federal fez uma batida no escritório do banqueiro e descobriu
uma nota fiscal de 8 milhões de reais, relativos aos honorários do
advogado. Outros dois advogados de Dantas no caso ganharam,
respectivamente, 1 milhão e 3 milhões de reais. Especulou-se que Kakay
encaminharia o excedente da remuneração que recebeu à cúpula do PT.
Clique AQUI para conferir o texto na íntegra.________________________________________________________________________
Outras páginas do autor: duck city / fakebook / post script / epitaphius / ombudsboy / portfolio
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Constituição e Código Civil em áudio para download
Dica para concurseiros: baixe na Biblioteca Digital do Senado Federal a Constituição da República (atualizada até a Emenda 66) e o Código Civil Brasileiro, dentre outras normas, no formato mp3, pra você ouvir no trajeto até o trabalho ou durante atividades físicas.
(Altamente recomendado também pra quem sofre de insônia. Resultado 100% garantido)
domingo, 22 de abril de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
O comentarista Positivo
Na década de 80, as equipes do Paranaíba da Vila Operária e do Clube Atlético Olaria travavam grandes clássicos pelo Campeonato Amador da Liga Patense de Desportos. Na época, eu estava começando minha carreira de repórter esportivo.
Em uma tarde de sábado, embarcamos na velha Brasília da Rádio Clube de Patos e descemos até o Campo do Peixe para transmitir um jogo entre os dois times. Jonas Silva era o narrador, o comentarista era Sólon Pereira, eu trabalhava como repórter de campo, o zeloso Antônio Carlos Tim Tim era o responsável pela ligação dos equipamentos e também o piloto da viatura. (...)
Entretanto, quando o Sólon ia falar o nome do nosso narrador, eu não sei o que ele aprontava, mas sempre acrescentava a letra “a” no meio da palavra, de modo que Jonas virava “Joanas”.
– O jogo está muito disputado no meio-campo, o Olaria encontra dificuldade para armar sua grande jogada com Branco pelo lado esquerdo. O setor está muito bem marcado pelo João Bandeja. Certo, JOANAS?
E o Garotinho já estava implicado com o fato de o comentarista falar seu nome errado e respondeu:
– Certo não, Sólon, meu nome não é JOANAS, meu nome é JONAS.
Seguiram-se mais uns quatro ou cinco comentários no primeiro tempo. E em todos, o Positivo encerrava seu raciocínio com a pergunta: “Está certo, JOANAS?”. E ele sempre fazia a correção e explicava que seu nome não era JOANAS, mas JONAS. Até que o árbitro Pedro Dias Cardoso, o Bolero, trilhou seu apito e encerrou a primeira etapa. Entrei no campo, fiz algumas entrevistas com os craques do jogo e retornei o comando da jornada para o narrador.
Geralmente, dos 15 minutos do intervalo de uma partida de futebol, pelo menos 10 eram reservados para o comentarista fazer uma análise geral do desempenho dos times, dos atletas e até do árbitro. Mas, naquele dia, o locutor esportivo resolveu quebrar a escrita. Antes de anunciar os comentários intermediários, ele decidiu ensinar o Sólon a falar o seu nome corretamente. Ficamos eu, Tim Tim e Walico encostados no alambrado observando e nos divertindo com a aula radiofônica:
– Não tem erro, são só duas sílabas: JO-NAS. Veja bem, não é JO-ANAS, é JO-NAS. Repita comigo: JO-NAS.
Ao que o Sólon respondia:
– JO-A-NAS.
– Não é JO-A-NAS. É JO-NAS.
E o comentarista insistia:
– JO-A-NAS, JO-A-NAS, JO-A-NAS.
E o outro corrigia:
– JO-NAS, JO-NAS, JO-NAS.
Repetiram o exercício fonético umas trinta ou quarenta vezes até que finalmente o esforçado aluno passou a soletrar: “JO-NAS, JO-NAS, JONAS”. Satisfeito com o seu nome sendo pronunciado de forma correta, o narrador aplaudiu o colega e anunciou a análise do primeiro tempo do jogo.
– Comos senhores, o “comentarista Positivo”.
O Zé de Pádua, o famoso Zé do Céu, acionou a velha cartucheira de rolo na técnica central e a vinheta ecoou nas ondas da Rádio Clube: SÓLON PEREIRA. E aí o Sólon começou:
– Tivemos um primeiro tempo bastante disputado aqui na Vila Operária, meu caro JO-A-NAS.
Naquele momento, o Jonas já havia deixado o fone e o microfone sobre a mesa e se preparava para chupar um picolé. Mas quando ouviu o seu nome ser falado errado mais uma vez, ele pegou novamente o microfone e deu uma bronca bem-humorada:
– Olha, Sólon, faz uma hora que estou ensinando você a falar meu nome e você vem de novo com essa história de JO-A-NAS. Olha, eu tô achando que é mais fácil eu ir lá no Cartório e pedir pra mudar o meu nome do que você aprender a falar JONAS. Alô, Biezinho, vá preparando a papelada que amanhã eu passo aí pra mudar meu nome.
Biezinho é o dono do Cartório lá em Carmo do Paranaíba. Naquela altura eu, Walico e Tim Tim estávamos às gargalhadas na beira do campo. O Sólon coçou o bigode com o polegar e o indicador e deu uma piscadinha em nossa direção. Até hoje eu não sei se ele fazia aquilo de sacanagem.
Adamar Gomes
In: “Radio Clube: setenta anos e suas histórias”
sábado, 24 de março de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
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