terça-feira, 7 de julho de 2015
sábado, 13 de junho de 2015
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Clarice Lispector: obra completa em PDF
Superpack com toda a obra escrita e algumas coletâneas póstumas de Clarice Lispector.

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Faça-o antes que deletem novamente!
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Alter egos
"I have a dream" (1963), Martin Luther King:
"Animal Farm" (1945), George Orwell:
Todos os animais estavam presentes, exceto Moisés, o corvo domesticado, que dormia fora, num poleiro junto à porta dos fundos. Quando o Major os viu, bem acomodados e aguardando atentamente, limpou a garganta e começou:
- Camaradas, já ouvistes, por certo, algo a respeito do estranho sonho que tive à noite passada. Mas falarei do sonho mais tarde. Antes, tenho outras coisas a dizer. Sei, camaradas, que não estarei convosco por muito mais tempo e, antes de morrer, considero uma obrigação transmitir-vos o que aprendi sobre o mundo. Já vivi bastante e muito tenho refletido na solidão da minha pocilga. Creio poder afirmar que compreendo a natureza da vida sobre esta terra, tão bem quanto qualquer outro animal vivente. É sobre o que desejo vos falar.
"Então, camaradas, qual é a natureza desta nossa vida? Enfrentemos a realidade: nossa vida é miserável, trabalhosa e curta. Nascemos, recebemos o mínimo alimento necessário para continuar respirando, e os que podem trabalhar são exigidos até a última parcela de suas forças; no instante em que nossa utilidade acaba, trucidam-nos com hedionda crueldade.
Nenhum animal, na Inglaterra, sabe o que é felicidade ou lazer, após completar um ano de vida. Nenhum animal, na Inglaterra, é livre. A vida do animal é feita de miséria e escravidão: essa é a verdade, nua e crua.
"Será isso, apenas, a ordem natural das coisas? Será esta nossa terra tão pobre que não ofereça condições de vida decente aos seus habitantes? Não, camaradas, mil vezes não! O solo da Inglaterra é fértil, o clima é bom, ela pode dar alimento em abundância a um número de animais muitíssimo maior do que o existente. Só esta nossa fazenda comportaria uma dúzia de cavalos, umas vinte vacas, centenas de ovelhas --vivendo todos num conforto e com uma dignidade que, agora, estão além de nossa imaginação. Por que, então, permanecemos nesta miséria? Porque quase todo o produto do nosso esforço nos é roubado pelos seres humanos. Eis aí, camaradas, a resposta a todos os nossos problemas. Resume-se em uma só palavra --Homem. O Homem é o nosso verdadeiro e único inimigo. Retire-se da cena o Homem e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre.
"O Homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais. Põe-nos a mourejar, dá-nos de volta o mínimo para evitar a inanição e fica com o restante. Nosso trabalho amanha o solo, nosso estrume o fertiliza, e, no entanto, nenhum de nós possui mais que a própria pele. As vacas, que aqui vejo à minha frente, quantos litros de leite terão produzido neste ano? E que aconteceu a esse leite, que poderia estar alimentando robustos bezerrinhos? Desceu pela garganta dos nossos inimigos. E as galinhas, quantos ovos puseram neste ano, e quantos se transformaram em pintinhos? Os restantes foram para o mercado, fazer dinheiro para Jones e seus homens. E você, Quitéria, diga-me onde estão os quatro potrinhos que deveriam ser o apoio e o prazer da sua velhice. Foram vendidos com a idade de um ano --nunca mais você os verá. Como paga por seus quatro partos e por todo o seu trabalho no campo, que recebeu você, além de ração e baia?
"Mesmo miserável como é, nossa vida não chega nem ao fim de modo natural. Não me queixo por mim, que tive até muita sorte. Estou com doze anos e sou pai de mais de quatrocentos porcos. Isto é a vida normal de um barrão. Mas no fim, nenhum animal escapa ao cutelo.
Vós, jovens leitões que estais sentados à minha frente, não escapareis de guinchar no cepo, dentro de um ano. Todos chegaremos a esse horror, as vacas, os porcos, as galinhas, as ovelhas, todos. Nem mesmo os cavalos e os cachorros escapam a esse destino. Sansão, no dia em que seus músculos fortes perderem a rigidez, Jones o mandará para o carniceiro e você será degolado e fervido para os cães de caça. Quanto aos cachorros, depois de velhos e desdentados, Jones amarra-lhes uma pedra ao pescoço e os atira na primeira lagoa.
"Não está, pois, claro como água, camaradas, que todos os males da nossa existência têm origem na tirania dos humanos?" (...)
"E agora, camaradas, vou contar-vos o sonho que tive a noite passada. Não sei como explicá-lo. Foi um sonho sobre como será o mundo quando o Homem desaparecer. Mas lembrou-me algo que há muito eu esquecera. Há anos, quando eu ainda um leitãozinho, minha mãe e as outras porcas costumavam cantar uma antiga canção da qual só conheciam a melodia e as três primeiras palavras. Na minha infância aprendi a melodia, depois a esqueci. A noite passada, entretanto, ela me voltou à memória (...).
"Animal Farm" (1945), George Orwell:
Todos os animais estavam presentes, exceto Moisés, o corvo domesticado, que dormia fora, num poleiro junto à porta dos fundos. Quando o Major os viu, bem acomodados e aguardando atentamente, limpou a garganta e começou:
- Camaradas, já ouvistes, por certo, algo a respeito do estranho sonho que tive à noite passada. Mas falarei do sonho mais tarde. Antes, tenho outras coisas a dizer. Sei, camaradas, que não estarei convosco por muito mais tempo e, antes de morrer, considero uma obrigação transmitir-vos o que aprendi sobre o mundo. Já vivi bastante e muito tenho refletido na solidão da minha pocilga. Creio poder afirmar que compreendo a natureza da vida sobre esta terra, tão bem quanto qualquer outro animal vivente. É sobre o que desejo vos falar.
"Então, camaradas, qual é a natureza desta nossa vida? Enfrentemos a realidade: nossa vida é miserável, trabalhosa e curta. Nascemos, recebemos o mínimo alimento necessário para continuar respirando, e os que podem trabalhar são exigidos até a última parcela de suas forças; no instante em que nossa utilidade acaba, trucidam-nos com hedionda crueldade.
Nenhum animal, na Inglaterra, sabe o que é felicidade ou lazer, após completar um ano de vida. Nenhum animal, na Inglaterra, é livre. A vida do animal é feita de miséria e escravidão: essa é a verdade, nua e crua.
"Será isso, apenas, a ordem natural das coisas? Será esta nossa terra tão pobre que não ofereça condições de vida decente aos seus habitantes? Não, camaradas, mil vezes não! O solo da Inglaterra é fértil, o clima é bom, ela pode dar alimento em abundância a um número de animais muitíssimo maior do que o existente. Só esta nossa fazenda comportaria uma dúzia de cavalos, umas vinte vacas, centenas de ovelhas --vivendo todos num conforto e com uma dignidade que, agora, estão além de nossa imaginação. Por que, então, permanecemos nesta miséria? Porque quase todo o produto do nosso esforço nos é roubado pelos seres humanos. Eis aí, camaradas, a resposta a todos os nossos problemas. Resume-se em uma só palavra --Homem. O Homem é o nosso verdadeiro e único inimigo. Retire-se da cena o Homem e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre.
"O Homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais. Põe-nos a mourejar, dá-nos de volta o mínimo para evitar a inanição e fica com o restante. Nosso trabalho amanha o solo, nosso estrume o fertiliza, e, no entanto, nenhum de nós possui mais que a própria pele. As vacas, que aqui vejo à minha frente, quantos litros de leite terão produzido neste ano? E que aconteceu a esse leite, que poderia estar alimentando robustos bezerrinhos? Desceu pela garganta dos nossos inimigos. E as galinhas, quantos ovos puseram neste ano, e quantos se transformaram em pintinhos? Os restantes foram para o mercado, fazer dinheiro para Jones e seus homens. E você, Quitéria, diga-me onde estão os quatro potrinhos que deveriam ser o apoio e o prazer da sua velhice. Foram vendidos com a idade de um ano --nunca mais você os verá. Como paga por seus quatro partos e por todo o seu trabalho no campo, que recebeu você, além de ração e baia?
"Mesmo miserável como é, nossa vida não chega nem ao fim de modo natural. Não me queixo por mim, que tive até muita sorte. Estou com doze anos e sou pai de mais de quatrocentos porcos. Isto é a vida normal de um barrão. Mas no fim, nenhum animal escapa ao cutelo.
Vós, jovens leitões que estais sentados à minha frente, não escapareis de guinchar no cepo, dentro de um ano. Todos chegaremos a esse horror, as vacas, os porcos, as galinhas, as ovelhas, todos. Nem mesmo os cavalos e os cachorros escapam a esse destino. Sansão, no dia em que seus músculos fortes perderem a rigidez, Jones o mandará para o carniceiro e você será degolado e fervido para os cães de caça. Quanto aos cachorros, depois de velhos e desdentados, Jones amarra-lhes uma pedra ao pescoço e os atira na primeira lagoa.
"Não está, pois, claro como água, camaradas, que todos os males da nossa existência têm origem na tirania dos humanos?" (...)
"E agora, camaradas, vou contar-vos o sonho que tive a noite passada. Não sei como explicá-lo. Foi um sonho sobre como será o mundo quando o Homem desaparecer. Mas lembrou-me algo que há muito eu esquecera. Há anos, quando eu ainda um leitãozinho, minha mãe e as outras porcas costumavam cantar uma antiga canção da qual só conheciam a melodia e as três primeiras palavras. Na minha infância aprendi a melodia, depois a esqueci. A noite passada, entretanto, ela me voltou à memória (...).
Bichos ingleses e irlandeses,
Bichos de todas as partes!
Eis a mensagem de esperança,
No futuro que virá!
Cedo ou tarde virá o dia,
Cairá a tirania
E os campos todos da Inglaterra
Só aos bichos caberão!
Não mais argolas em nossas ventas,
Dorsos livres dos arreios,
Freios e esporas, descartados,
Chicotadas abolidas!
Muito mais ricos do que sonhamos
Possuiremos daí por diante
O trigo, o feno, e a cevada,
Pasto aveia e feijão!
quarta-feira, 15 de abril de 2015
domingo, 1 de março de 2015
Por dentro da futura sede do Google
A empresa responsável pelo buscador mais popular do mundo apresentou sua ideia de nova sede a redesenhar o horizonte de Mountain View, no Vale do Silício. Para isso, o Google contratou dois arquitetos renomados – Thomas Heatherwick e Bjarke Ingels – e lhes deu sinal verde.
Apple
A Apple já está com a construção da sua nova sede em Cupertino, no Vale do Silício. O prédio, com 80% da área coberta por vegetação, também segue o conceito de sustentabilidade e aproximação com a natureza do escritório do Google. O prédio chamou atenção por assumir um formato que o fez ser comparado a uma nave espacial. Para mantê-lo funcionando, a Apple se apressou em comprar cerca de US$ 850 milhões em energia de um novo parque solar na Califórnia para reduzir sua conta de eletricidade. Fotos do projeto estão abaixo, mas fotos aéreas da construção, feitas com um drone, podem ser conferidas aqui.
O Facebook também se prepara para levantar uma nova sede em Palo Alto. Sob a regência do arquiteto Frank Gehry, os prédios, cheios de verde, devem comportar até 3,4 mil funcionários. A construção deve ficar pronta no fim deste ano.
Por Redação Link
domingo, 8 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
O polêmico hebdomadário francês, grátis, em PDF
Clique AQUI para baixar a edição esgotada.
Outras edições:
Charlie Hebdo n. 1057 (19 set 2012): clique aqui.
Charlie Hebdo n. 1090 (7 mai 2013): clique aqui.
Charlie Hebdo n. 1091 (15 mai 2013): clique aqui.
domingo, 11 de janeiro de 2015
sábado, 10 de janeiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
domingo, 26 de outubro de 2014
Caso Veja: indefensável
A edição de 29 de outubro antecipada por "Veja" traz como verdade absoluta a denúncia de um criminoso confesso, o doleiro Alberto Youssef:
ELES SABIAM DE TUDO afirma a capa, sem aspas, ilustrada pela imagem de Lula e Dilma.
No interior da revista, porém, o leitor se depara com a informação de que o doleiro ("caixa do esquema de corrupção da Petrobras") não apresentou nem lhe foi pedido nenhuma prova. Uma tentativa desesperada para influenciar o resultado das eleições de hoje, exatamente como fez a Rede Globo ao editar o debate entre Collor e Lula às vésperas das eleições presidenciais em 1989.
O que Youssef disse não poderia mesmo ficar escondido até o fechamento das urnas. Mas daí a alçar a notícia ao status que lhe foi dado, e ainda induzir o (e) leitor a erro? Os editores chamaram para si a responsabilidade ao assumirem a acusação, cabendo-lhes o ônus da prova.
A depredação da sede da editora Abril foi lamentável, mas qual teria sido o maior atentado à democracia? Se o depoimento fosse favorável a Dilma e a Lula a revista abraçaria a versão do delator com o mesmo açodamento e dar-lhe-ia a mesma credibilidade e igual publicidade? Obviamente, caso o delator dissesse que o alto escalão do governo não soubesse do esquema não haveria manchete na capa — muito menos ela seria ELES SÃO INOCENTES.
Pedra angular do Direito, o contraditório também é um princípio do jornalismo, e aos acusados deveria ser dado o direito de se defenderem, o que não foi respeitado pela publicação. Pelo contrário, a empresa recorreu ao STF para barrar o direito de resposta determinado judicialmente.
* * *
Quem veio em defesa da revista, claro, foi Aécio. Notório censor, agora se traveste de arauto da liberdade de imprensa, com o mesmo cinismo de quando ataca a adversária de forma baixa e agressiva afirmando que não o fará.
O País de fato precisa de mudança, que nenhum dos candidatos representa. Mas, a julgar pela capa e pelo uso eleitoreiro pelo noticiário ("golpe contra a liberdade de imprensa" etc.), se Aécio for vitorioso a imprensa deverá ser menos vigilante e combativa — para não dizer complacente — em seu governo.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Argumento irrefutável
Pequena doação
Uma instituição de caridade nunca tinha recebido uma doação de um dos advogados mais ricos da cidade. O diretor da instituição decidiu ele mesmo falar com o advogado :
Enviado por: Porandubas Políticas
Uma instituição de caridade nunca tinha recebido uma doação de um dos advogados mais ricos da cidade. O diretor da instituição decidiu ele mesmo falar com o advogado :
- Nossos registros mostram que o senhor ganha mais de R$ 300.000,00 por ano e, assim mesmo, o senhor nunca fez uma pequena doação para nossa caridade.O advogado respondeu :
- O senhor gostaria de contribuir agora ?
- A sua pesquisa apurou que minha mãe está muito doente e que as contas médicas são muito superiores a renda anual dela ?O diretor nem se atreveu a abrir a boca.
- Ah, não ! - murmurou o diretor.
- Ou que meu irmão é cego e desempregado ? - continuou o advogado.
- E ainda, que o marido da minha irmã morreu num acidente e deixou ela sem um tostão e com cinco filhos menores para criar ? - resmungou o advogado com ar de indignação.O diretor, sentindo-se humilhado, retrucou :
- Desculpe, eu não tinha a menor ideia de tudo isso...E assim, o advogado fechou a conversa.
- Então, se eu não dou um tostão para eles, por que iria dar para vocês ?
Enviado por: Porandubas Políticas
domingo, 21 de setembro de 2014
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
domingo, 10 de agosto de 2014
domingo, 13 de julho de 2014
Charlie e Franz
ELIO GASPARI
Hoje, in: "O Globo"
Franz pilotava um caça Bf-109, protegendo o Norte da Alemanha, quando alcançou um B-17 de uma esquadrilha que bombardeara a região de Bremen. O avião americano estava em pandarecos. Ele podia ver tripulantes feridos e rombos na fuselagem. Tirou o dedo do gatilho e emparelhou seu caça com o bombardeiro.
Aquele avião não podia estar voando. Charlie Brown, o piloto do B-17, esperava apenas pelos últimos tiros. Viu o piloto alemão movendo a cabeça num incompreensível sinal afirmativo e achou que estivesse sonhando. Franz escoltou o B-17 durante dez minutos. Quando ele se aproximou da costa da Inglaterra, balançou as asas e voltou para a base alemã: “Não se atira em paraquedista. O avião estava fora de combate. Eu não carregaria isso na consciência”.
Charlie contou aos seus superiores o que lhe acontecera, mas mandaram-no ficar calado, pois propagaria um episódio capaz de comover os colegas com a ideia de que havia alemães civilizados.
Franz sobreviveu à guerra, mudou-se para o Canadá e só contou sua história em 1985. Não sabia o que acontecera ao B-17. De 12 mil bombardeiros, cinco mil haviam sido destruídos em combate. Na outra ponta, Charlie Brown, que vivia na Flórida, sonhava encontrar aquele alemão.
Escreveu uma carta para uma revista, descrevendo o estado de seu avião, com o cuidado de omitir um importante detalhe. Em 1990, os dois se encontraram. Franz tinha 75 anos e Charlie, 68. O alemão lembrou-lhe que o B-47 estava com o estabilizador destruído. Era o detalhe omitido.
Pouco depois, todos os sobreviventes do B-17 se reuniram, levando suas famílias. Eram 25 homens e crianças que deviam a vida a um homem que não apertou o gatilho.
Franz morreu em março de 2008. Charlie, em novembro.
Serviço: Essa história está contada no livro “A Higher call”, de Adam Makos. Custa US$ 9,99, na rede, e vai virar filme.
Hoje, in: "O Globo"
Franz pilotava um caça Bf-109, protegendo o Norte da Alemanha, quando alcançou um B-17 de uma esquadrilha que bombardeara a região de Bremen. O avião americano estava em pandarecos. Ele podia ver tripulantes feridos e rombos na fuselagem. Tirou o dedo do gatilho e emparelhou seu caça com o bombardeiro.
Aquele avião não podia estar voando. Charlie Brown, o piloto do B-17, esperava apenas pelos últimos tiros. Viu o piloto alemão movendo a cabeça num incompreensível sinal afirmativo e achou que estivesse sonhando. Franz escoltou o B-17 durante dez minutos. Quando ele se aproximou da costa da Inglaterra, balançou as asas e voltou para a base alemã: “Não se atira em paraquedista. O avião estava fora de combate. Eu não carregaria isso na consciência”.
Charlie contou aos seus superiores o que lhe acontecera, mas mandaram-no ficar calado, pois propagaria um episódio capaz de comover os colegas com a ideia de que havia alemães civilizados.
Franz sobreviveu à guerra, mudou-se para o Canadá e só contou sua história em 1985. Não sabia o que acontecera ao B-17. De 12 mil bombardeiros, cinco mil haviam sido destruídos em combate. Na outra ponta, Charlie Brown, que vivia na Flórida, sonhava encontrar aquele alemão.
Escreveu uma carta para uma revista, descrevendo o estado de seu avião, com o cuidado de omitir um importante detalhe. Em 1990, os dois se encontraram. Franz tinha 75 anos e Charlie, 68. O alemão lembrou-lhe que o B-47 estava com o estabilizador destruído. Era o detalhe omitido.
Pouco depois, todos os sobreviventes do B-17 se reuniram, levando suas famílias. Eram 25 homens e crianças que deviam a vida a um homem que não apertou o gatilho.
Franz morreu em março de 2008. Charlie, em novembro.
Serviço: Essa história está contada no livro “A Higher call”, de Adam Makos. Custa US$ 9,99, na rede, e vai virar filme.
terça-feira, 8 de julho de 2014
"Obrigada, meninos. Bem ou mal, a gente segue em frente"
Meninos,
(sim, meninos, porque quando uma seleção é eliminada na Copa do Mundo, não há mais homens no gramado. Há meninos. Com olhos vazios, sem rumo e sem qualquer indício de vergonha ou de pudor.)
Escrevo só para agradecer.
Agradecer porque vocês nos fizeram sentir o que há muito tempo não sentíamos.
O nervosismo. A voz embargada. Tensão. Alegria. Nó na garganta. Dor de garganta. Explosão. Tristeza. Desilusão. Um turbilhão de sentimentos condensados em 4 semanas.
Agradeço porque vocês conseguiram mexer com muitas emoções que andavam paradas. Bandeiras na janela por amor a um país (e não apenas a uma seleção), acima de qualquer outra questão.
Porque vocês fizeram mais do que colocar corações para bater mais forte. Vocês colocaram corações absolutamente brasileiros para bater.
Agradeço porque a cada jogo que passava, me sentia mais parecida com os desconhecidos na rua. Mais próxima do meu país, da minha gente.
Agradeço porque o desfecho traumático não anula a alegria vivida.
E por saber que vocês vão ter que encarar aqueles brasileiros de momento, que até ontem tinham orgulho e hoje já acham que “isso é Brasil”.
Mas não se preocupem, para nós também é difícil suportá-los. Tamo junto.
E o fato é que a tristeza é geral: do campo, do banco de reservas, da arquibancada, do sofá da sala, do banco do bar, da sarjeta.
Mas, por favor, entendam, nós não estamos tristes com vocês, estamos tristes JUNTO com vocês.
E tanto é assim que posso garantir que milhares de brasileiros queriam poder dar em vocês hoje o abraço que o David Luiz deu no James depois da eliminação da Colômbia.
Obrigada, meninos.
Obrigada por me lembrarem que eu nunca quis ser europeia. Alemã, holandesa, francesa, belga… Nem que me dessem um belo par de olhos claros.
Que o que eu quero sempre é minha camisa amarela, minhas emoções escancaradas, quero o choro embriagado de hoje, esquizofrenicamente orgulhoso de ser quem somos até quando estamos apanhando como apanhamos.
Abracem seus pais. Seus filhos. Suas mulheres. Seus amigos.
Façam isso por nós, que queríamos abraçá-los talvez até mais do que iríamos querer se ganhássemos a Copa.
E continuem sendo assim, brasileiros, acima de tudo.
No cabelo enrolado, nas danças no vestiário, nos abraços verdadeiros, nos choros sofridos, na oração sincera e na certeza de que, bem ou mal, a gente segue em frente.
7 a 1? Dane-se.
Vocês me representam. E não é pela bola que jogam, é pelos caras que são.
RUTH MANUS
in: "Carta a uma seleção derrotada".
Terça-feira, 8/7/14
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Asimov estava certo
Estamos em 2014, e todos deveríamos estar indo à terapia. Ao menos é o que dizia Isaac Asimov (foto), um dos mais conhecidos autores de ficção científica do século 20, que em 1964 publicou um ensaio em que previa como seria a realidade de hoje.
O escritor não previu que sonda marciana Curiosity teria uma conta no Twitter
Kim Gittleson
da BBC News em Nova York
E, mesmo que algumas das suas tecnologias futurísticas nunca tenham chegado ao público, como a casa submarina e o carro voador, ao olhar mais de perto as previsões de Asimov divulgadas na feira percebemos que sua "bola de cristal" era bastante precisa.
Assim ele via o ano de 2014 em 1964:
1. "As comunicações serão audiovisuais e uma pessoa poderá não só escutar, mas também ver a pessoa que a telefona."
Na Feira Mundial de 1964, havia cabines telefônicas para realizar chamadas de vídeo
2. Será possível "telefonar para qualquer ponto da Terra, inclusive as estações meteorológicas na Antártida".
Antes uma coisa do futuro, os telefonemas para a Antártida hoje são simples de fazer
3. "Os robôs não serão comuns nem muito bons em 2014, mas vão existir."
É atribuída a Asimov a introdução da palavra robótica no idioma inglês, por isso não é tão surpreendente que ele tinha razão ao prever que nenhum robô estaria a altura da personagem Rosie, do desenho animado Os Jetsons, que estreou na televisão em 1962.Mas há projetos de robôs para dar notas em provas de universitários no Japão, que fazem cirurgias à distância e cozinham um prato com a destreza de um cozinheiro profissional.
O escritor Isaac Asimov fez uma série de previsões precisas sobre como seria o futuro
Qualquer pessoa que tenha tentado conhecer uma cidade estrangeira sem um mapa digital pode se perguntar se Asimov não quis dizer cérebros "humanos".
4. "Quanto à televisão, as telas de parede substituirão os equipamentos de hoje, mas também aparecerão cubos transparentes que tornarão possível a visão em três dimensões."
Um dos aspectos mais notáveis das previsões de Asimov é que elas foram certeiras quanto à criação de certas tecnologias, mas superestimaram o entusiasmo com que elas seriam recebidas.Para dar a ele o devido crédito, é preciso dizer que as TVs de tela plana substituíram os modelos comuns, e a TV em 3D, mesmo que não em forma de cubo, foram por muito tempo as grandes estrelas das feiras de tecnologia.
Asimov disse que o balé seria o tipo de programa favorito do público da TV 3D
5. "As comunicações com a Lua serão um pouco incômodas."
Era natural que Asimov se equivocasse nesse ponto. Em 1964, em plena era espacial, o entusiasmo com os avanços neste campo poderia ter deixado o escritor muito otimista quanto às comunicações com a Lua. Segundo ele, as chamadas teriam um atraso de 2,5 segundos
A sonda robótica Curiosity percorre a superfície de Marte captando imagens e realizando análises
Mesmo assim, ele não previu que sonda marciana Curiosity teria uma conta no Twitter.
6. "Os móveis de cozinha prepararão refeições, esquentarão água e a transformarão em café."
As máquinas de café automáticas realmente existem.As previsões de Asimov de que leveduras e algas seriam processadas para simular diversos sabores, como "peru falso" ou "pseudobife", se concretizaram no ano passado, quando os cientistas anunciaram o primeiro hambúrguer feito em laboratório.
O hamburguer produzido em laboratório foi anunciado por cientistas no ano passado
7. "Já existirá uma ou duas usinas de fusão de energia experimental."
Diz-se por aí que a fusão - em essência, o aproveitamento da energia que existe dentro das estrelas - é a energia do futuro.E isso não está tão longe, se levarmos em conta o investimento internacional de US$ 22 milhões para colocar um reator em funcionamento no sul da França até 2028.
O escritor foi preciso ao prever centrais de energia solar em áreas desérticas
As centrais elétricas no espaço "que captam a luz solar por meio de enormes aparelhos parabólicos e irradiam a energia para a Terra" seguem como uma meta em aberto.
8. "Haverá um grande esforço para projetar veículos com cérebros robóticos."
Sem dúvida, esse veículo com cérebro robótico pode ser o automóvel que se dirige sozinho.
O Google atualmente desenvolve um automóvel que se dirige sozinho
Outras previsões sobre o transporte feitas por Asimov seguem como ficção. Os "aquafoils", que passam raspando sobre a água e impressionaram os visitantes da feira de 1964, não decolaram. Muito menos seus sucessores: o cinto-foguete e os aerodeslizadores.
9. "Nem toda a população do mundo desfrutará por completo dos artefatos do futuro. Uma porção maior do que a atual será privada deles, mesmo que estejam numa situação material melhor do que a de hoje."
É talvez a observação - ou advertência - mais visionária de Asimov. Isso porque a tecnologia, tanto antes quanto agora, pode transformar vidas, mas sem um esforço para torná-la acessível, pode prejudicar em vez de ajudar no objetivo de atingir a "paz por meio da compreensão".sábado, 1 de março de 2014
"Encouraçado Espacial Yamato": a série clássica ressurge
Baixe os 26 episódios de "Yamato 2199", a nova versão da série animada japonesa "Space Battleship Yamato" (ou simplesmente "Patrulha Estelar", de Leiji Matsumoto), uma saga futurista inspirada nas batalhas navais da Segunda Guerra Mundial:
MEGA Drive (legendado)
Cortesia: Action & Comics
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