quinta-feira, 5 de junho de 2008

"Sou um selvagem e não compreendo"









Cacique Seattle (1786-1866),
homem que inspirou o mais
famoso libelo ecológico



Cara-pálida, neste Dia Mundial do Meio Ambiente houvemos por bem reproduzir o texto com o qual o cacique Seattle teria declinado proposta indecorosa feita à sua tribo pelo governo americano. A versão a seguir é a que escrevemos, a partir das várias existentes, para o site da Caros Amigos por ocasião do 150° aniversário da suposta "carta".


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"O presidente declarou em Washington que deseja comprar nossa terra. Como pode comprar-se ou vender-se o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha para nós. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que, se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. Se nós a decidirmos aceitar, imporei uma condição: ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas: que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá também aos filhos da terra. Disto nós sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem é que pertence à terra. Disto sabemos: todas as coisas então ligadas como o sangue que une uma família.

Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos. Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos das florestas densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros. ...É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos (e o homem branco poderá vir a descobrir um dia): Deus é um Só, qualquer que seja o nome que lhe dêem. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual para o homem branco e para o homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.”

2 comentários:

Lívio disse...

Que bacana, Manoel.

Esse negócio de ambiente, chego a pensar sobre ele de modo simplório: a natureza NÃO precisa de nós. NÓS precisamos dela. De um jeito ou de outro, as coisas vão continuar, com ou sem o homem. Mas se não cuidarmos do ambiente, não continuaremos. Talvez venha um tempo em que vamos perecer. Mas outras formas de vida estarão por aqui.

Manoel Almeida disse...

Ugh!